Wednesday, January 04, 2006

II (SONETO DO EPITAPHIO)


La quando em mim perder a humanidade
Mais um daquelles, que não fazem falta,
Verbi-gratia  – o theologo, o peralta
Algum duque, ou marquez, ou conde, ou frade:

Não quero funeral communidade,
Que engrole "sub-venites" em voz alta;
Pingados gattarrões, gente de malta,
Eu tambem vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada edosa
Sepulchro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitaphio mão piedosa:

“Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada, e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.”

(Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas)

4 comments:

Anonymous said...

Apoio e aplaudo a inciativa do Changuito (o bom anfitrião do bar d'A Barraca) e do Mané do Café (o animador das noites de Alfama, no Tejo bar); dois gajos de truz que foram o estopim desse movimento cívico para que se satisfaça o desejo do poeta.

Anonymous said...

Entrei para fazer comentários sobre o poeta que tanto gosto e dizer que foi de muito mau gosto escolherem este soneto... mas ao sacar a intenção do blog, dou a maior força.

Anonymous said...

Mau gosto? Por que? Porque fala em punheteiro e fodeu? Apesar da obra dele ser extensa, ele ficou mais conhecido exactamente por quebrar algumas regras literarias na altura. Mesmo os sonetos com linguagem mais forte sãõ geniais. Deixa de ser quadrada!!!!

Anonymous said...

Quero deixar antes de mais um forte abraço ao bom ambiente do Tejo bar que já tanto me inspirou, sobre o poeta, Bocage era um poeta por excelência, boémio, excêntrico, intenso, romântico, brutalmente romântico e vivo! E sim a sua vontade deveria ser realizada deixo o meu apoio.

Pedro Afonso