Wednesday, January 04, 2006

II (SONETO DO EPITAPHIO)


La quando em mim perder a humanidade
Mais um daquelles, que não fazem falta,
Verbi-gratia  – o theologo, o peralta
Algum duque, ou marquez, ou conde, ou frade:

Não quero funeral communidade,
Que engrole "sub-venites" em voz alta;
Pingados gattarrões, gente de malta,
Eu tambem vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada edosa
Sepulchro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitaphio mão piedosa:

“Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada, e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.”

(Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas)